Água Negra (2005)

Título Original: Dark Water
Direção: Walter Salles
Roteiro por: Rafael Yglesias, baseado em livro de Kôji Suzuki e em roteiro de autoria de Hideo Nakata e Takashige Ichise
País: EUA


Que surpresa agradável. Não tinha muito espectativa para com este filme mas saí da sala deveras satisfeito.

Tá, não vou falar o que todo mundo já sabe. Primeiro filme americano (?) do famoso diretor brasileiro Walter Salles. E que é baseado em (outra) estória de terror oriental. Não me senti confortável vendo o filme, uma das únicas vezes que isso aconteceu e não era culpa da minha não-vontade de ver o filme, pois eu queria. O lugar, a fotografia, as cores, tudo me deixaram assim. Acho que isso ficou muito bom no filme. Me senti sujo vendo o filme (água negra, saca?). Mas isso, apesar de ser ruim na hora, foi bom por um bom motivo.

Não é a adaptação de horror japonês mais assustadora. Nem chega perto. Pra falar a verdade, eu achei o filme muito mais pra drama do que pra terror. Suspense? Pode ser.. Poucas são as cenas assustadoras e talvez por isso eu tenha achado a melhor adaptação dos japas. E olha que não estou puxando saco só pq o diretor é brasileiro. Mas.. americanos, sabe.

Por fim, é um bom filme. Vale a pena.



Obs.: Jennifer Connelly, eu te amo.

Nossa Música (2004)

Título Original: Notre Musique
Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro por: Jean-Luc Godard
País: França


Coisa boa. Confesso que, no começo, fiquei meio decepcionado por não ser como o Nouvelle Vague, hehe. Logo vi que era diferente. E tão bom quanto.

O filme é divido em 3 partes (Inferno, Purgatório e Paraíso). Fala sobre guerras, esperança, vida, morte. O filme é lindo, a trilha sonora também, só piano e cordas. Embora seja não tanto Godard, tem pitadas que dá pra ver claramente que é dele. Uma conversa no bar, principalmente. A maior parte do filme é a parte do meio, Purgatório, que é a mais "normal". Onde se tomam os julgamentos, digamos assim. A primeira, que é linda por sinal, é meio que um documentário, mostrando guerras e batalhas. A do meio é o desenrolar da estória. E a última é o final, o depois.

Godard faz um personagem no filme. Ele mesmo. Ele é chamado para fazer uma palestra pro curso de Letras, creio. A palestra é ótima, uma das melhores partes. No final, um aluno pergunta se é possível que essas camêras digitais e pequenas possam salvar o cinema. Ele não responde.


Antes de ver o filme, reservei o cartaz dele pra mim na locadora. "Espero que seja bom". Vai ficar lindo na parede do meu quarto novo.

Terra dos Mortos (2005)

Título Original: Land of the Dead
Direção: George A. Romero
Roteiro por: George A. Romero
País: EUA


Pra quem não conhece, George Romero é conhecido por fazer filmes legais de zumbis. São eles: Night of the Living Dead (1968), Dawn of the Dead (1978) e Day of the Dead (1985). Putz, continuar filmes de zumbis, 20 anos depois? Não vai fazer merda? Not at all.

Confesso que nunca vi nenhum desses antigos. Só refilmagens. Legais, também. Mas e Land of the Dead? Presta? Tem muitos zumbis matando um monte de gente? Violência? Resposta para todas essas perguntas: SSIIIMMM!!! Acho que foi o melhor filme de zumbi que eu já vi, sendo que não vi muitos.

Não tem introdução besta, não matam todos os zumbis no final, não tem beijo do mocinho com a menina principal. Tem sangue, tripas, tiros na cabeça, menina principal bonita, personagens legais, canibalismo. Alguém viu algum fator ruim desses que eu citei? Nem eu! Que filme bom! Viva zumbis e viva filmes de zumbis! Filmes assim não precisam de explicações.


Gosta de filmes de zumbis? Então vai ver esse! Não sairás decepcionado.

Nouvelle Vague (1990)

Título Original: Nouvelle Vague
Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro por: Jean-Luc Godard
País: França


Caramba, que troço massa! Totalmente diferente de tudo que eu já vi! Isso que ainda é Godard novo, imagina só o antigo.

Eu ia ver o filme ontem de noite, de madrugada, mas acabei ficando com preguiça e me deitei. Sem sono, pensei "ah, vou ver o filme deitado mesmo". Botei play, vi os 5 primeiros minutos e desliguei. Mas e que 5 minutos! Desde o começo já dá pra ver o quão diferente e bonito o filme é. Me apaixonei pela segunda cena do filme (a primeira é verde com cavalos, gostei mais da segunda). A partir daí, quando bateu uma hora de filme, não parava de pensar "Se acabar agora, vai ser perfeito". Queria que acabasse rápido antes que estragasse. Até que acabou, uma hora. Sem estragar.

O filme até tem uma narrativa que tem lógica e que anda, mas isso não é o principal do filme. O principal são os pensamentos, soltos, aleatórios, belos e filosóficos. Um simples jardineiros que questiona a felicidade. Uma conversa de executivos que leva à uma metáfora da sociedade que controla as pessoas. Inúmeros pensamentos sobre amor, o ser humano, decepções. Poderia ir parando o filme de 5 em 5 minutos para anotar as genialidades que falam. O único problema é que as vezes ficavam 3 vozes ao mesmo tempo e só uma legenda. Muitas vezes mais de uma língua sendo falada.

Enfim. Mais Godard, por favor.



Destaque para as seguintes falas do meu personagem favorito do filme: "As lembranças são o único paraíso do qual não seremos expulsos". E segundos depois, "A lembranças é o único inferno ao qual fomos condenados em inocência."

Eraserhead (1977)

Título Original: Eraserhead
Direção: David Lynch
Roteiro por: David Lynch
País: EUA


Putz! Perfeito, perfeito! Sem dúvida, meu favorito do Lynch! Tive que ver o filme no computador, afinal, não tem versão nacional. Pra isso, tive que ajustar as legendas direitinho pelo BSPlayer, então tem que pular para as partes que tem diálogo pra ver se tá tudo bem sincronizado. Apenas com essas cenas aleatórias, eu já me entusiasmava com o filme. Esse pensamento não mudou em um segundo sequer desde que botei o filme desde o começo até o final.

Depois de ver o filme até tive que ver o documentário que eu tenho gravado, pra me lembrar o que falavam sobre ele. Eraserhead foi o primeiro longa-metragem de David Lynch, depois de já ter feito vários curtas. O filme estreiou no Festival de Cinema de Los Angeles, em 1977, devido à uma pessoa que já tinha visto o filme, ter falado para um cara influente sobre Eraserhead. O tal cara era conhecido como "avô dos filmes da meia-noite" e a moral dele era promover filmes com baixo orçamento e estreia-los sempre à meia-noite. Ele pediu dois meses pro Lynch e disse que o filme teria filas de pessoas para assistir. De fato, foi isso o que aconteceu.

O filme é preto e branco (o que o melhora em milhões de vezes) e é lindo, lindo. Genial. Ao explicar o filme, Lynch, como sempre, fala a mesma coisa que em todos os filmes dele: Tem que seguir as suas idéias. Coisas acontecem no filme e deves tirar conclusões, por ti mesmo. Acreditar que é tal coisa, e tentar provar, pelo que acontece (não exatamente assim que ele diz, mas é essa a idéia).

Infelizmente, como já disse, o filme não tem versão nacional e quem quiser ver que me peça emprestado ou que baixe na internet.


Não consigo parar de pensar em uma coisa. Imaginem a reação das pessoas ao verem Eraserhead no cinema, na estréia! Algo completamente diferente, por mais que os "filmes da meia-noite" fossem alternativos. Um filme de um cara que quase ninguém nunca ouviu falar e quando vê, toma! Essa maravilha.