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O Balconista 2 (2006)

Título Original: Clerks II
Direção: Kevin Smith
Roteiro: Kevin Smith
País: EUA


Então.

A principal diferença entre o primeiro e este se nota no cartaz. Personagens novos. Sim, plural (o outro não está nele). Os dois são geniais, though. Um deles, a mais importante, Rosario Dawson, nova chefe de Dante. O segundo, Elias, colega de trabalho dos dois. Um nerd virgem e constrangedor.

OK, vou contextualizar melhor. Vários anos depois do primeiro filme, a loja, onde eles supostamente gastaram muitos dias iguais, pegou fogo. E, assim, fechou. Então eles vão atrás de emprego novo (é, pelo jeito o Randal trabalhava lá também.. dois trabalhos ao mesmo tempo). E conseguem um: fast-food. Rosario, a chefe, é uma pessoa maravilhosa e logo se dá muito bem com eles (bom, com Dante na verdade). O problema é que agora, muitos meses depois deles entrarem nesse ramo, Dante estava namorando Emma, uma loira ex-cheerleader e rica. Aquele tipo de mulher que te deixa em um relacionamento onde você não precisa fazer nada, pois ela decide tudo. Tanto que eles realmente vão se casar, em poucos dias, Dante vai se mudar para Orlando com ela. E esse é apenas um dos problemas dele no filme. O outro personagem, Elias, só serve pra comic relief, que funciona muito bem com ele. Viciado em Senhor dos Anéis e Transformers, religioso, mimado, tímido, inocente. Engraçado.


Logo de cara, nota-se que o segundo filme é muito diferente do primeiro. Coisas acontecem. Não vou falar o que acontece, mas Clerks II tem uma cena sensacional, onde tudo ocorre ao mesmo tempo. Clerks não tem isso. Outra diferença é que o segundo tem muito bromance. Isso não é ruim, claro. Enfim, não vou ficar comparando os dois.

O Balconista 2 tem um sentimento de nostalgia. Sabe quando você era feliz e não sabia? Randal menciona várias vezes que, por mais que eles não fizessem nada nunca (talvez até por isso), ele sente muita falta dos good ol' days naquela loja. Quem nunca achava que detestava algo e depois sente saudade, quando ela acaba?

Quero rever ambos.


Nota 9

O Balconista (1994)

Título Original: Clerks
Direção: Kevin Smith
Roteiro: Kevin Smith
País: EUA


Um post mais do que especial. Aqui inicio um novo grupo de filmes. Filmes obrigatórios (e, na sua grande maioria, geniais) que, sim, eu nunca vi antes. Vou tagear esses posts como "arrumando falhas culturais." E, putz, não poderia ter começado melhor. Que filme bom!

Dante e Randal são amigos que trabalham muito perto um do outro. Dante em uma loja de conveniências e Randal em uma locadora de vídeos, em prédios vizinhos. O filme começa com Dante recebendo uma ligação informando que ele vai precisar trabalhar hoje. Ele vai, claro, já mau humorado. Um tempo depois, Randal chega para conversarem e matar tempo. E o resto do filme conta como foi o dia deles.

O Balconista lida com situações cotidianas de, bem, pessoas que trabalham atrás do balcão, no caixa, lidando com clientes. Não são as histórias de como o atendente de tal loja te tratou mal ou whatever, e sim de clientes peculiares. Naturalmente, eles conversam sobre tudo durante o trabalho. E isso é o destaque desse filme: os diálogos. São geniais. Sabe quando você resolve fazer algo, qualquer coisa, e uma pessoa cita todos os contras e lhe deixa pensando coisas como "hm, realmente, são argumentos válidos.. e agora?"? O Balconista é cheio dessas conversas. São coisas que faltam no mundo, sinceramente. Ninguém diz "você não deveria fazer isso por isso e por aquilo", as pessoas acham que cada um sabe julgar bem o que é melhor para si e para os outros e cada um fica na sua.

Dante é o cara dos dilemas, das reclamações, introspectivo. Randal é a voz interior dele. O lado que diz: que se foda, ninguém se importa, just do it. Tem uma cena que exemplifica muito bem isso. Quando Dante acorda, o chefe dele diz pelo telefone que estaria na loja ao meio-dia e que aí Dante poderia ir embora. O chefe não aparece e o protagonista tinha um jogo de hockey às 14h. No horário do jogo, nada do chefe e os jogadores já estão na loja, pois eles vão jogar num lugar ali perto mesmo. Dante então decide fechar por alguns minutos, "eu nem deveria estar aqui hoje mesmo." Quando está fechando, ainda dentro da loja com Randal, chega um dos jogadores e pede um Gatorade, de graça. Dante hesita, fala que se der pra ele, teria que oferecer para todos os outros também. O cara diz que, porra, um só, grande merda. Randal então apóia o cara. Já vai fechar a loja mesmo, se é pra ser irresponsável, que seja direito. E então Dante fica nesse dilema, por alguns segundos até se decidir.


O Balconista é cheio de diálogos assim. É aquele tipo de filme que você só não diz que é perfeito, pois pessoalmente não gostou de tais cenas comparado à outras. Mas no fundo você sabe que você é o problema. Dá vontade de rever agora mesmo. Mas verei o 2 em breve, aguardem.


Nota 9.8

Pagando Bem, Que Mal Tem? (2008)

Título Original: Zack and Miri Make a Porno
Direção: Kevin Smith
Roteiro: Kevin Smith
País: EUA


Kevin Smith, porra! Decepcionante, na verdade.

Zack (Seth Rogen) e Miri (Elizabeth Banks) fazem um casal de amigos (sim, isso mesmo) que moram juntos. Ele é gordo e feio, ou seja, ela nunca pensou em transar com ele. Eles eram como irmãos. Então um dia, a grana fica escassa e eles resolvem fazer um filme pornô para ganhar dinheiro. A idéia de como isso daria certo e venderia bem foi muito boa: sabem como nos EUA tem aqueles encontros de turma de faculdade, certo? Tipo mil anos depois das aulas e todos praticamente já serem casados e tudo mais. Uma desculpa para jogar como sua vida atual é foda na frente dos babacas do colégio, na verdade. Bom, a turma ao todo tinha mais de 100 pessoas. Agora me diga: se você soubesse que aquela pessoa da turma fez um filme pornô, você não iria querer ver? É claro que sim!

Eles conseguem um elenco (não seria só uma transa dos dois, teria trama e tudo mais) e começam a filmar. É tudo muito engraçado. Mas esse filme peca num aspecto que eu acho muito chato quando acontece. Sabe quando alguém está satirizando algo e é legal? E daí sabe quando esse alguém entra no clichê e aquilo que era engraçado e babaca agora vira realidade? Isso não me agrada. O filme tem muito mais drama do que deveria, era pra ser uma comédia divertida. Bom, é, mas não por completo. O dramazinho é chaaaaaato e isso prejudica bastante.


Enfim, recomendo, principalmente para fãs do Seth Rogen. Ah, outra coisa, tentem ver o filme com alguém que manje das putarias, pois falam muito, muito sobre sexo. Legal também como a tradução brasileira do título, apesar de não ter ligação com o original, ficou boa. Same with Pineapple Express (Segurando as Pontas).


Nota 7.8