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Perfect Sense (2011)

Direção: David Mackenzie
Roteiro: Kim Fupz Aakeson
País: UK, Suécia, Irlanda e Dinamarca

Bom! Não estava esperando nada e recebi um bom drama sobre epidemias.

Perfect Sense fala sobre uma doença que tira os cinco sentidos dos infectados, em ordem: olfato, paladar, audição, visão e tato. Ninguém sabe a origem da doença e ninguém sabe a cura. Ou seja, tem umas noções apocalípticas interessantes. Eva Green estuda epidemiologia e está envolvida com o processo de análise da doença e Ewan McGregor é um chef e trabalha num restaurante perto da casa de Eva. Bonitos como só eles, eles começam uma relação na mesma época que a epidemia inicia e tem que lidar com isso.

Pela sinopse, Perfect Sense lida com um problema sério no cinema: ser dramático demais. Mas isso não acontece. Claro, não tem solução e você sente o desespero da humanidade junto, mas ficou tudo tão bem feito que você não nota. Não tem gente chorando sem parar e personagens suicidas.

Pode ser que isso não seja tão realista, mas, convenhamos, com a Eva Green (ou Ewan McGregor, pra quem curte) do meu lado, eu não me sentiria tão mal assim.

Nota 7.8

The Girl with the Dragon Tattoo (2011)

Direção: David Fincher
Roteiro: Steven Zaillian baseado em livro de Stieg Larsson
País: EUA, UK, Suécia e Alemanha

Excelente.

Não sei o que me atraiu a esse filme primeiro. David Fincher em geral, David Fincher adaptando um thriller sueco ou a incomum parceria entre Daniel Craig e Rooney Mara. Apesar de que, confesso, minutos antes de começar, eu só pensava na Rooney e tinha quase esquecido do Fincher.

Vamos à trama: Craig é um jornalista investigativo que acabou de passar por uma merda profissionalmente. Tudo que ele quer agora é fugir da pressão por alguns dias. E é o que acontece. Um senhor milionário entra em contato com Craig, em relação a um crime cometido na sua família há décadas atrás. A família Vanger era dona de uma pequena ilha na Suécia e, um dia nos anos 60, quando um acidente de carro bloqueou completamente o único acesso à ilha, uma das filhas da família simplesmente desapareceu. A única solução possível? Alguém a matou e a enterrou na própria ilha. Mas por quê? E quem? Trata-se da ilha, afinal, ou seja, só pode ter sido culpa de algum parente.

Por outro lado, temos Rooney Mara, uma adolescente gótica e hacker. Extremamente anti-social e não-convencional, Mara costumava trabalhar para o governo, tamanha suas habilidades em conseguir informações privadas de, bem, quem ela quiser (ou quem mandarem ela conseguir). Sem família ou amigos alguns, nota-se de começo que ela já passou por muita merda na vida. E, sim, ainda passa, como nos mostra o começo do filme, mais de uma vez. Eventualmente os dois cruzam caminhos e permanecem juntos.


Essa trama investigativa já foi plano de trabalho de Fincher, com Zodíaco. Os tais casos aparentemente sem soluções. Em ambos filmes, ele consegue nos deixar muito interessados nos mistérios, até que você começa a pensar como os personagens e investigar como eles. Ambos os filmes também tem quase três horas e mesmo assim aparecem apressados, mas por um bom motivo: baseado em livros de quase 400 páginas cada.

Mas o maior destaque de The Girl with the Dragon Tattoo é Rooney Mara. Seu personagem é marcante e achei impressionante ela fazer algo assim no "começo" de carreira. Um papel assim definitivamente muda uma pessoa e ela vai olhar para novos roteiros com outros olhos. De acordo com o IMDb, ela está envolvida no próximo projeto de Kathryn Bigelow (The Hurt Locker) e em outro com Terrance Malick (The Tree of Life) e eu acho isso excelente. Espero que ela mantenha o cabelo curto.


Os mistérios são explicados com clareza, as atuações são boas, a trilha sonora (composta por Trent Reznor, do Nine Inch Nails, que também trabalhou com Fincher em The Social Network e inclusive ganhou vários prêmios por ela), embora mal apareça, tem sua importância e não é ignorada. Also, foi um dos únicos filmes de 2011 que me deu uma vontade absurda de rever logo depois que eu saí do cinema. Aprovadíssimo.

Nota 9.3

Melancholia (2011)

Direção: Lars von Trier
Roteiro: Lars von Trier
País: Dinamarca, Suécia, França e Alemanha

Ótimo!

Em Melancholia, Lars von Trier, um dos diretores mais polêmicos da atualidade, faz um belo ensaio sobre o fim do mundo e a morte. 

Tudo acontece na festa de casamento de Kristen Dunst com Alexander Skarsgard. Esse sempre foi o sonho dele, mas ela é uma pessoa mais excêntrica. Por mais que goste da ideia de passar a vida toda com o noivo, o casamento em si é uma tarefa tão cansativa e boba. Não só os dois chegam extremamente atrasados para a cerimônia, como Kristen está sempre "indo ao banheiro" e voltando depois de meia hora ou mais. Tudo acontece numa casa de campo enorme e não é um dia qualquer. Cientistas descobriram a existência de um planeta (chamado Melancholia) que se escondia atrás do Sol e vai passar bem perto da Terra nessa noite, o que promete ser um belo espetáculo. O problema é que alguns pessimistas prevêem que o planeta vai passar perto demais da Terra e talvez até se chocar com ela. E se você leu o primeiro parágrafo...

É interessante ver como os personagens lidam com isso. Depois do casamento, na verdade, quando só temos Kristen, Charlotte Gainsbourg (irmã) e Jack Bauer (cunhado) pra lidar com a situação. Ah, e o filho de Charlotte x Jack. Uma curiosidade é como o personagem de Kristen é como é (depressiva, alguns dizem), ela trata desse assunto de forma mais racional. Enfim, o melhor de Melancholia é tudo que acontece depois do casamento (parte mais chata e acessível do filme). A última cena em particular é memorável. 

Nota 9.1

Mammoth (2009)

Título Original: Mammoth
Direção: Lukas Moodysson
Roteiro: Lukas Moodysson
País: Suécia / Dinamarca / Alemanha

Quem dera todos os updates desse blog fossem sobre filmes como esse! Bom, como eu disse no twitter semanas atrás, quando vi Mammoth: Lukas Moodysson definitivamente entrou pra minha lista de cineastas mais respeitados e admirados de todos os tempos. Todos filmes dele que vi são nota 9 pra cima, então, né..

Mammoth fala sobre quando coisas ruins acontecem a pessoas boas e até quando elas aguentam. Gael Garcia Bernal e Michelle Williams são um casal e tem uma filha. Eles também têm uma empregada tailandesa chamada Gloria. E Gloria tem dois filhos, ambos na Tailândia, junto com sua família. Logo no começo do filme, Gael viaja para a Oceania e assim o filme se divide em quatro histórias. Gael e sua viagem de negócios, Michelle e seu trabalho (médica), a relação de Gloria com Jackie (filha dos patrões) e o dia-a-dia dos filhos de Gloria, na sua terra natal.

Pelo que falei, sim, Mammoth é o Moodysson mais Iñárritu (diretor de Babel, 21 Gramas, Amores Brutos; filmes onde é comum a história se dividir em vários pedaços) que já vi. Mas isso é longe de ser ruim. O personagem de Gael é um cara novo e rico, ele criou uma rede social sobre games e o site alcançou o status de myspace, praticamente. Por isso (e mais alguns outros motivos), o filme tem bastante esse lance de relacionamento a distância. Ele frequentemente se comunica com a mulher, mesmo do outro lado do mundo. E Gloria também eventualmente conversa com os filhos, por telefone. Isso tudo deixa o filme muito realista e plausível. A vida é assim, não?


O problema em Mammoth é quando os personagens começam a perceber que, bem.. É preciso estar lá. O estresse de pequenas coisas que dão errado é crucial na vida das pessoas e é necessário expôr isso de alguma forma. Não dá pra deixar tudo acumulado. Chega uma hora que.. basta, não? E Mammoth se desenvolve assim, você fica tenso com os personagens.

Por fim, em um filme que fala sobre isso, sobram duas conclusões possíveis: um final feliz (como em Bem-Vindos) ou triste (como em Lilja 4-ever). Mas não vou falar o que acontece, claro. Veja Mammoth logo.

Nota 9.8

Bem-Vindos (2000)

Título Original: Tillsammans
Direção: Lukas Moodysson
Roteiro: Lukas Moodysson
País: Suécia / Dinamarca / Itália

Tenho visto muitos filmes nota 9 recentemente e isso não é coincidência.

Não consigo pensar nesse filme ser lembrar do comentário que um amigo meu fez a respeito. Se Lilja 4-ever (filme do mesmo diretor, drama tenso que fala sobre prostituição infantil e suicídio) é uma obra que mostra o pior da humanidade, em Tillsammans Lukas consegue mostrar que ainda podemos ter fé nela.

Bem-Vindos fala sobre um pensionato onde moram: um revolucionário, três gays, dois casais hétero mas liberais e três crianças. Em sua maioria, o pessoal é de bem com a vida, não leva as coisas muito a sério, mas, bem, é difícil fazer com que todo mundo concorde com tudo o tempo inteiro. Inclusive, o filme começa quando a irmã do dono do lugar resolve ir morar com eles também. Com dois filhos. Bom, e a partir daí, começamos a lidar com os relacionamentos entre eles, de todos moradores, assim também como seus problemas fora da casa. As crianças aparecem bastante, mas na maioria das cenas, são negligenciadas pelos adultos.


Talvez não tenha dado para perceber pelos parágrafos acima, mas em geral, o clima da casa é de amizade e companheirismo. Nesse filme eu não posso comentar qual é a melhor cena, pois é a última. Mas fala sobre aquilo que todos queremos: ser aceitos por um lugar e por pessoas que não se preocupem com o nosso passado ou com que roupas estamos vestindo.

Esse filme é para todos aqueles que um dia já se sentiram como se não fizessem parte.

Nota 9.6

Deixe Ela Entrar (2008)

Título Original: Låt den rätte komma in
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: John Ajvide Lindqvist
País: Suécia


Faz tempo que eu queria ver isso e não me decepcionei.

Deixe Ela Entrar, pra quem não sabe, conta um romance bem inusitado. Oskar, é um garoto de 12 anos, não tem muitos amigos e sofre bullying no colégio. Um dia, brincando sozinho de noite no pátio do prédio onde mora, ele conhece Eli, uma garota meio estranha. Então mais tarde ele percebe que era é uma vampira.

A relação dos dois, no início, é normal. E mesmo depois, quando ele descobre, isso não afeta o que um sente pelo outro. São amigos. Alguém que te entende. Ou alguém que não é como eles, que não enche o saco. O "engraçado" do filme é o contraste entre o relacionamento bonito e puro deles com as cenas onde ela está, bem, sendo vampira. Caçando e sendo sobrenatural. Em uma cena, quando ele conta sobre o bullying, ela diz muito séria para ele revidar. Aí a gente já sabe que ela vai acabar defendendo ele, em alguma parte do filme. E acontece e é uma das partes mais memoráveis de Deixe Ela Entrar.

Ótimo filme! Recomendo pra quem quer ver um romance bonitinho ou pra quem gosta de vampiros.

Nota 8.8

The 3 Rooms of Melancholia (2004)

Tìtulo Original: Melancholian 3 huonetta
Direção: Pirjo Honkasalo
Roteiro por: Pirjo Honkasalo
País: Suécia/Alemanha/Dinamarca/Finlândia


Documentário sobre a Guerra da Chechênia e repressão russa.

Bonito e frio. Europeu.

PS: Eurochannel reina.

A Menina da Fábrica de Fósforos (1990)

Tìtulo Original: Tulitikkutehtaan tyttö
Direção: Aki Kaurismäki
Roteiro por: Aki Kaurismäki
País: Finlândia/Suécia


Ótimo! Nada como filmes bons e pequenos, esse tem só uma hora. Me interessei pelo diretor, vou procurar mais coisas dele.

Gritos e Sussurros (1972)

Título Original: Viskningar Och Rop
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro por: Ingmar Bergman
País: Suécia


Excelente. Eu quero esse dvd.

Noites de Circo (1953)

Título Original: Gycklarnas Afton
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro por: Ingmar Bergman
País: Suécia


Ótimo! Muito bom mesmo. Quero mais Bergman.

O Silêncio (1963)

Título Original: Tystnaden
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro por: Ingmar Bergman
País: Suécia


Bah, muito bom. MESMO! Foi pro Top 3 Bergman.

Sonhos de Mulheres (1955)

Título Original: Kvinnodröm
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro por: Ingmar Bergman
País: Suécia


Ótimo, ótimo. Pra variar, tem uns personagens muito fodas que valem o filme. Foi o único dos 3 que acabou quando eu queria, na clássica "bah, tem que acabar agora".

Através de um Espelho (1961)

Título Original: Såsom i en spegel
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro por: Ingmar Bergman
País: Suécia


Muito bom também. Notei que o Bergman tem uns atores favoritos, que já estiveram em mais de um filmes que vi dele. Como a mulher louca desse filme (que tá no Sonhos de Mulheres). E se não me engano, o principal de O Sétimo Selo, faz um personagem em Morangos Silvestres. Acho divertido isso.


Preciso rever O Sétimo Selo, por sinal.. E Persona. Que acredito, por mais clichê que seja, são os meus favoritos dele, eu acho.

Morangos Silvestres (1957)

Título Original: Smultronstället
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro por: Ingmar Bergman
País: Suécia


Só não gostei muito do final. O filme tinha tudo pra ter um final tri massa, mas tem um final feliz.

Fora isso, o filme é excelente! Destaque para as cenas de sonho do velho. Muito massa.

Persona (1966)

Título Original: Persona
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro por: Ingmar Bergman
País: Suécia


Perfeito.

O Sétimo Selo (1956)

Título Original: Det Sjunde Inseglet
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro por: Ingmar Bergman, baseado em peça de Ingmar Bergman
País: Suécia


Do caralho, mesmo. Muito bom.