Mostrando postagens com marcador 00s. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 00s. Mostrar todas as postagens

Boy A (2007)

Título Original: Boy A
Direção: John Crowley
Roteiro: Mark O'Rowe baseado em livro de Jonathan Trigell
País: UK

Mais Andrew Garfield, em um filme sobre second chances.

Andrew era uma criança que sofria bullying e um dia encontrou um amigo excluído também. Então esses dois um dia fazem uma burrice enorme e acabam sendo responsáveis pelo assassinato de uma colega de classe. Ambos são presos. O amigo de Andrew se mata. E Andrew, alguns anos depois, sai da cadeia e vai pra outra cidade com outro nome, outra vida. Sendo que aí ele tem menos de 20 anos. Então dá pra saber como o personagem dele é perturbado.

O interessante de Boy A é ver como ele se adapta em um trabalho normal e em criar uma vida decente, nunca se expondo o bastante. Também temos a relação dele com seu "pai adotivo", o responsável por Andrew pós-cadeia, um cara que, naturalmente, acredita em second chances. Tudo isso sempre tentando chamar o menos de atenção possível, vai que alguém em algum lugar o reconheça. Isso deixa o filme bem tenso.

Aprovei.

Nota 7.7

Tetro (2009)

Título Original: Tetro
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Francis Ford Coppola e Mauricio Kartun
País: EUA / Argentina / Espanha / Itália

Esse sim!

Pra quem não conhece, Vincent Gallo é um músico, ator, diretor, blá blá, descolado e controverso. Eu não tinha opinião formada sobre ele até ver esse filme.

Tetro (apelido de Angelo Tetrocini) é filho de Tetrocini pai, um artista muito famoso. Revoltado com a forma que sua família (seu pai, pra ser mais exato) lida com certas situações, o filho resolve fugir de casa pra sempre e ir morar na Argentina. Muitos anos depois, Bonnie, caçula de Tetro, resolve seguir os mesmos passos e vem aqui pra América do Sul encher o saco do irmão. A moral é que Tetro era um aspirante a escritor que poderia dar muito sucesso, mas ele desistiu. Então Bonnie acha rastros de sua obra e começa a entender melhor seu irmão, pai and all that jazz.

Engraçado que eu me mantive do lado de Tetro durante o filme inteiro, quase sempre concordei com ele. O filme tem um mindfuck no final, que poderia tê-lo estragado, mas ficou bom. Also, preto e branco, a trilha sonora é ótima, Argentina, Coppola... Não precisa de mais muita coisa.

Nota 9.3

O Bom Coração (2009)

Título Original: The Good Heart
Direção: Dagur Kári

Roteiro: Dagur Kári
País: EUA / Islândia / Dinamarca / França / Alemanha



Paul Dano é um mendigo de, heh, bom coração, enquanto Brian Cox, como dá pra ver pelo cartaz, é o velho ranzinza. Dano tenta se matar no começo no filme e Brian tem um problema no coração, e assim eles se conhecem. Brian acha um absurdo o estilo de vida de Dano e resolve "adotá-lo" como "aprendiz" e assim o leva para sua casa / bar. Então várias lições de moral ensue, como boa educação, como tratar clientes e mulheres, qual é o sentido da vida e tudo mais. Mas Brian não é bem o melhor exemplo pra isso, vide pérolas como "não estamos aqui para salvar as pessoas, e sim destruí-las." O personagem dele pode ser visto como um Woody Allen ou Larry David mas (forçadamente) mais extremo.

Brian faz um personagem legal, though, daqueles que discute com as pessoas pelo bem de discutir, mesmo que não concorde com o que quis. Tem uma cena que ele defende o vegetarianismo (algo que um personagem como ele claramente seria contra) só pra irritar e instigar um debate.

Um filme divertido e bonito.

Nota 7.3

O Concerto (2009)

Título Original: Le Concert
Direção: Radu Mihaileanu
Roteiro: Radu Mihaileanu baseado em estória de Héctor Cabello Reyes e Thierry Degrandi
País: França / Itália / Rússia / Bélgica / Romênia

Bonito e divertido.

A primeira cena do filme fala bastante sobre o mesmo. Ensaio de uma orquestra. O maestro lida tudo perfeitamente. Até que um celular começa a tocar e percebemos que o maestro na verdade é um faxineiro que atrapalha o ensaio. Alexei era um regente de orquestra e tinha a música clássica como sua maior paixão. Infelizmente, a cultura do seu país teve problemas com o Comunismo e ele foi expulso do seu trabalho. Ele, assim como todos os seus amigos da orquestra, ficaram desempregados e tiveram que se virar pela vida. 30 anos depois, surge uma oportunidade deles tocarem novamente. Em Paris.

O engraçado é que a orquestra toda é composta por um bando de velho que só pensa em beber e ganhar uns dinheiros por aí, lol. Mas, né, todos apaixonado pela boa música de Tchaikovsky. O Concerto tem umas piadas hilárias e a devoção dos personagens é realmente tocante. "Palavras traem. Somente a música é pura e verdadeira." Reflita. Also, o filme tem aquela linda da Mélanie Laurent, de Bastardos Inglórios.

Vale a pena.

Nota 8.4

Os Vigaristas (2008)

Título Original: The Brothers Bloom
Direção: Rian Johnson
Roteiro: Rian Johnson
País: EUA

Divertido.

Mark Ruffalo e Adrien Brody são irmãos e cresceram juntos, sem família próxima. Eles viviam de casa em casa, adotados. Mas desde lá, já roubavam e faziam de tudo pra enganar as pessoas e tirar lucro das situações. Ruffalo era o especialista em criar cenários enquanto Brody só seguia as instruções. Mas logo a consciência de Brody começa a pesar, ainda crianças, sobre "como é feio" enganar as pessoas. A forma como isso acontece é bem interessante.

Os dois estão numa nova cidade e Ruffalo já bola o seu plano. O primeiro passo consiste em Brody começar uma amizade com as crianças da praça. Bom, ele consegue e vive esse papel por uns dias, sendo quem, talvez, ele realmente quisesse ser. Então Brody lhes conta uma estória que um velho lhe contou sobre uma caverna e o tesouro nela escondido. Sobre como a caverna certa emitia uma luz peculiar. Mas para saber o exato local da caverna, o velho pediu 30 dólares. Então as crianças fazem uma vaquinha e dão o dinheiro para Brody dar para o velho. Brody então leva todas as crianças para uma tal floresta onde deveria estar a caverna. Ruffalo, dentro da caverna, emite a luz e todos os pequenos ficam emocionados e cheios de esperança. Nesse momento, correndo em direção a caverna, até Brody cai na fantasia e se empolga como os outros. Mas logo se lembra que é uma farsa e não existe tesouro.

Os Vigaristas fala bastante sobre isso. Enganar e manipular. Os irmãos crescem mas Brody chega no seu limite. Ele concorda em dar seu último truque, numa milionária muito louca chamada Penelope (Rachel Weisz). E, bom, é claro que um se apaixona pelo outro e dá muita merda e ninguém sabe em quem confiar.

Vi um comentário sobre o filme agora há pouco e infelizmente é daqueles que você não consegue "desver." Os Vigaristas tenta muito ser Wes Anderson. Mas né. Enfim, recomendo para fãs.

Nota 7.4

Irmãos de Sangue (2009)

Título Original: Leaves of Grass
Direção: Tim Blake Nelson
Roteiro: Tim Blake Nelson
País: EUA

Pelo cartaz já dá pra ver porque eu queria ver esse filme. Edward Norton e Edward Norton.

Em Irmãos de Sangue, ele faz dois irmãos gêmeos (duh). Um deles é um redneck traficante de maconha de Oklahoma e o outro é um professor de filosofia moderna numa universidade chique de NYC. Eles cresceram numa família hippie e isso claramente não agradou muito um deles que se mandou logo que teve a chance. O outro ficou por lá mesmo. Aí, claro, o filme fala sobre o reencontro dos dois, após (naturalmente) o criminoso pedir ajuda pro outro por causa de umas merdas aí.

Irmãos de Sangue é daqueles filmes que te deixa pensando "até onde você aguenta sua família?", haha. Ou o que você faria por ela. O filme me surpreendeu um pouco pois achei que ia ser só uma comédia nada demais mas tem umas cenas bem emocionantes perto do final. Manly tears stuff, o que meio me lembrou de Na Mira do Chefe. Mas fica por aí.

Nota 7.3

O Orfanato (2007)

Título Original: El Orfanato
Direção: Juan Antonio Bayona
Roteiro: Sergio G. Sánchez
País: México / Espanha

Ótimo suspense.

Laura cresceu num orfanato com várias outras crianças, até o dia em que foi adotada por uma família feliz. Muitos anos depois, ela já casada decide voltar e criar seu próprio orfanato lá, para crianças incapacitadas. Mas o filho dela, autista com alguns amigos imaginários, começa a ter visões das antigas crianças que moravam lá e, depois de alguns dias na casa nova, desaparece por muitos meses. Então o filme mostra Laura atrás do filho.

Gostei de O Orfanato pois ele é tenso e bem assustador e isso que procuro num suspense. Also, o plot twist do final (inerente a todo suspense) me surpreendeu de tão simples e funciona perfeitamente.

Nota 8.5

Há Tanto Tempo que te Amo (2008)

Título Original: Il y a longtemps que je t'aime
Direção: Philippe Claudel
Roteiro: Philippe Claudel
País: França / Alemanha

Drama francês que vi num cineclube esses dias.

O filme fala sobre Juliette, uma mulher que acabou de sair da cadeia depois de passar 15 anos lá. Ela só tem a sua irmã de família e depende totalmente dela para voltar para a sociedade. Então Juliette passa a morar com a irmã, junto com seu marido, um filho criança e o pai do marido. O filme demora bastante pra contar porque de fato ela ficou presa por tanto tempo e isso é um de seus pontos mais fortes. Outra coisa que me agradou bastante foi Juliette ter pequenos surtos de paciência, o que me deixou pensando que ela poderia matar todo mundo a qualquer momento, haha. Mas logo percebemos que ela, realmente, só está tentando voltar ao normal e esquecer tudo que já lhe aconteceu.

Bem legal.

Nota 7.8

O Mensageiro (2009)

Título Original: The Messenger
Direção: Oren Moverman
Roteiro: Alessando Camon e Oren Moverman
País: EUA

Nada como ver um filme sem saber da sinopse e se surpreender com sua originalidade.

Sabe quando um cara, na guerra, morre e normalmente algum amigo dele vai na sua casa dar a má notícia para a família? E se o fulano não tiver nenhum amigo no exército? Então eles enviam os mensageiros, gente de lá que tem isso como trabalho. Não é algo digno. As pessoas te xingam, culpam os militares, as guerras desnecessárias... Alguns aceitam de boa. Mas se você tem um parente militar que foi pra guerra, nunca é bom, do nada, quando outros militares visitam.

Como mostra o cartaz do filme, Ben Foster (ele fez o Arcanjo em X-Men III mas gosto muito dele pelo seriado Six Feet Under) e Woody Harrelson são os mensageiros da vez. Ben já foi pra guerra, perdeu muitos amigos lá e não tem família nos EUA. Ele, assim como vários jovens americanos que "já viram a face do terror" é meio psicótico e perturbado psicologicamente. Mas ele ainda tem um bom coração. Ele logo é aproximado por Woody sobre o novo trabalho. E Ben não é muito um cara tipo "siga o protocolo e vai dar tudo certo", ele é mais humano do que isso. Tanto que devolve uma atração por uma recente viúva, Samantha Morton. Ben é muito retraído mas com o passar do filme, claro, sua relação com Woody cresce e tudo mais.

Gostei bastante.

Nota 8.7

O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (2009)

Título Original: The Imaginarium of Doctor Parnassus
Direção: Terry Gilliam
Roteiro: Terry Gilliam e Charles McKeown
País: UK / Canadá / França

O famoso último filme de Heath Ledger, dirigido por Terry Gilliam. Mas muito mais do que isso.

Doutor Parnassus fez um dia um trato com o Diabo. Ele queria imortalidade e, em troca, o Diabo tomaria seu yet-to-be-born filho ou filha quando este chegar aos 16 anos. Então falta pouco para o prazo e o Doutor começa a se arrepender. Ele aumenta a aposta e diz que vai lhe dar cinco almas, caso o Diabo desista da menina (Lily Cole). O Diabo aceita.

O Doutor Parnassus, atualmente, é dono de um circo móvel. A tropa consta dele, sua filha, Anton (Andrew Garfield) e Percy (o mini-me). Na atração deles, eles levam um voluntário para o Imaginário. É literalmente o lugar dos sonhos da pessoa, onde ela pode ser tudo que quiser, onde e como quiser. Pouco tempo depois, numa noite qualquer em Londres, eles encontram um jovem semi-morto (enforcado) numa ponte chamado Tony. Ele simpatiza com a turma (e a Lily Cole com ele) e vira o novo do grupo.

Tony eventualmente entra no Imaginário e adivinha? Lá, ele não é ele mesmo. Ele é Jude Law! Ou Johnny Depp! Ou Colin Farrell! Assim conseguiram terminar o filme, visto que o Heath morreu no meio das filmagens.


Bonito, criativo, diferente. VEJAM! Also, O Diabo = Tom Waits.

Nota 9

Invictus (2009)

Título Original: Invictus
Direção: Clint Eastwood

Roteiro: Anthony Peckham baseado em livro de John Carlin

País: EUA


Motivos não faltavam pra ver esse filme. Dirigido por Clint Eastwood (OK, nem preciso continuar a lista). Morgan Freeman interpreta Nelson Mandela. Rugby na África do Sul. Pois é.

Eis um fato que você não sabia: o time de rugby da África do Sul foi campeão mundial em 1995. Pois foi. Matt Damon (wut) faz François Pienaar, o capitão do time, e é uma pessoa relativamente normal. Mandela, o novo presidente do país, nota que a África do Sul ainda está frágil, afinal o apartheid tinha acabado logo ali, e resolve usar o esporte para unir o povo. Então ele cria uma relação direta com François e os dois ficam encarregados de, bem, deixar todo mundo com orgulho de ser sul-africano.


Enfim, Invictus é muito bom. Obrigatório para fãs de filmes sobre esporte.

Minha cara no final:

MANLY FUCKING TEARS.

Nota 9.2

Entre Irmãos (2009)

Título Original: Brothers
Direção: Jim Sheridan
Roteiro: David Benioff baseado em filme de Susanne Bier e Anders Thomas Jansen
País: EUA

Bom drama.

É aquela clássica história: Sam (Tobey Maguire) vai pra guerra e deixa sua esposa (Natalie Portman) com as filhas. Dá merda lá e ele fica supostamente morto. Ela move on e se envolve com o Tommy (Jake Gyllenhaal), irmão do marido. Então Sam volta.

As atuações (dos três) são o melhor do filme, sem dúvida. Entre Irmãos realmente só começa quando Tobey volta da guerra. Diferente. Ele fica mais frio and all that jazz. A cena do jantar em família, no aniversário de uma das filhas, é tensa demais e muito boa. Also, vi uma entrevista com o Tobey um dia e mostraram uma das cenas que ele surta. Ele ficou muito hesitante em comentar a respeito, pois é aquele tipo de coisa, onde tu precisa buscar sentimentos e vontades do teu lado negro, digamos. Respeitei muito ele por isso, não é uma cena normal.


Nota 8


BTW, tenho pulado um monte de filmes aqui no blog. Alguns estou esperando estrear no cinema, outros não postei ainda por preguiça mesmo. Dois próximos posts: Karate Kid (o novo) e Invictus. Próximo filme que vou ver: The Book of Eli. Se já viu algum dos três, feel free to comment.

A Estrada (2009)

Título Original: The Road
Direção: John Hillcoat
Roteiro: Joe Penhall baseado em livro de Cormac McCarthy
País: EUA

Ótimo.

Viggo Mortensen e seu filho vivem num mundo pós-apocalíptico. De alguma forma, "o planeta morreu" e agora é tudo cinza, nada é natural e é cada um por si. E A Estrada nos mostra como eles sobrevivem no meio desses problemas como falta de comida e gangues canibais.

O fato mais interessante, sem dúvida, desse filme é o quanto a moralidade dos personagens é... relativa. Se no meio desse mundo sem nada, você encontra um cara suspeito? E se você tiver uma arma melhor que a dele? E se ele tiver um casaco mais quente? Viggo diz o filme inteiro que eles são os good guys mas com o passar do tempo o filho começa a se questionar sobre isso.

A Estrada é muito bom. Triste e cru. E possui um final inesperado e épico. Vejam.

Nota 8.9

Na Natureza Selvagem (2007)

Título Original: Into the Wild
Direção: Sean Penn
Roteiro: Sean Penn baseado em livro de Jon Krakauer
País: EUA



O que é liberdade pra você? Ter um dia livre pra fazer o que quiser? Férias? O horário de almoço no trabalho? Matar aula? Saber que você pode ir pra rodoviária e viajar pra qualquer lugar do país e, se quiser, não avisar ninguém? Agir como se não estivessem olhando? Fazer um inesperado mochilão sozinho, com o total desligamento da sociedade e sua fixação por futilidades como materialismo e consumismo? Pois pra Chris McCandless, ultimate freedom era exatamente essa última opção. "A vida é mais do que relações pessoais." E foi isso que ele fez.

Chris McCandless (Emile Hirsch) é um inteligente e curioso estudante de West Virginia. Ele não é como a maioria dos seus colegas; não se importa muito com, digamos, ter um carro novo ou ser descolado. Ele prefere a companhia dos seus livros, personagens e citações pertinentes que menciona em diversos momentos. Ele, porém, é muito próximo de sua irmã (Jena Malone) e junto dela teve uma infância e pré-adolescência.. perturbada. O pai (William Hurt) trabalhava pra NASA e, pelas suas inovações, ganhava muito dinheiro, algo que deixava a família sempre querendo mais. Um aposento a mais na casa, um aparelho mais moderno e tecnológico. Então, num dia qualquer, Chris finalmente se forma no colégio. Ele tem mais 24 mil dólares guardados pra faculdade. Mas ele resolve doar tudo e fazer um mochilão, a pé, até o Alaska, sozinho e sem avisar ninguém.

Na Natureza Selvagem mostra sua jornada (real) de mais de um ano até seu destino. Grande parte da graça dela, claro, está nas pessoas que conhecem nessa aventura. Muitos atores legais fazem esses coadjuvantes, como Vince Vaughn, Zach Galifianakis, Catherine Keener e (lol) Kristen Stewart. A outra parte da graça está em tudo que ele vivencia sozinho. Paisagens lindíssimas, lugares onde não se vê nenhuma outra pessoas em muitos e muitos quilômetros. Sem muita tecnologia e conveniências sociais (por opção, claro), ele vive, no meio da natureza. Mata e come animais da floresta, sente o mesmo calor do fogo mas com uma satisfação completamente inédita quando faz, com sucesso, uma fogueira. Tudo tem um sabor diferente (e não falo só sobre comida) quando feito pelas próprias mãos, sem auxílio ou supervisão de alguém. Tudo é uma pequena conquista.


Fazia um bom tempo que eu não via um filme com tantas cenas tão emocionantes. Sean Penn como diretor fez um trabalho sensacional. Sei que o crédito deve ir praticamente quase todo para o livro, mas o filme também tem o seu. Ainda mais em uma obra assim. Quão bem palavras podem descrever um lugar assim? A trilha sonora também é excelente, toda composta por Eddie Vedder. Enfim, é tudo sensacional. Quero muito ler o livro. E vejam o filme. It will make you wonder.


Não é muito relevante, mas é algo que quero comentar e me lembrei durante a minha segunda vez vendo Na Natureza Selvagem. Por certo lado, eu concordo com o protagonista. Tenho certeza que não é só comigo que é frequente a vontade de abandonar tudo e quebrar essas correntes que nos prendem a esse nosso entediante e worthless estilo de vida atual. Vontade de, não sei, simplesmente desistir de qualquer tipo de contato com as outras pessoas. Mas, por outro lado, é disso que tudo se trata. Pessoas. Se não fossem elas, não existiria aquela arma pra você usa pra caçar, ou aquela música fantástica que você tanto gosta. As cenas mais emocionantes do filme, justamente, envolvem quem Chris conhece no caminho. E é daí que me veio uma citação de um outro filme (Antes do Amanhecer, do Richard Linklater) em mente. "Eu acredito que, se existe algum tipo de Deus, ele não estaria em mim, ou em você, mas sim no espaço entre nós. Se existe algum tipo de magia nesse mundo, ela está na tentativa de entender alguém enquanto compartilham algo. Eu sei que é praticamente impossível de acontecer, mas quem se importa? A resposta deve estar nas tentativas." E é exatamente por isso que você acorda todos os dias, vai pra rua, estudar ou trabalhar, e acaba conversando com outras pessoas. Essa tentativa. Talvez algo aconteça. Quem sabe?


Vou acabar o post com uma mudança de assunto. Uma das várias citações famosas que Chris usa. Quando perguntado pelos estranhos recentemente conhecidos sobre família e dinheiro, Chris citava Thoreau. "Antes de amor, dinheiro, fé, fama, justiça... dêem-me a verdade."

Nota 9.7

A Ponte (2006)

Título Original: The Bridge
Direção: Eric Steel
Roteiro: Eric Steel
País: EUA

Documentário sobre suicídio e a Golden Gate Bridge, que, até 2006, era onde mais pessoas se matavam por ano.

O filme cata relatos de famílias que já perderam um membro por causa disso. Um dos casos é de um guri que se jogou da ponte e não morreu. Outro é de um fotógrafo que estava pela ponte tirando fotos e notou uma mulher indo pra parte do lado da ponte, onde, bem, normalmente se veria técnicos arrumando algo or something. Na verdade, não é o lugar mais perigoso do mundo, dá pra ficar sentado até na parte do lado, dá pra ver bem isso no documentário. Mas se você vê uma pessoa normal ali, pode ter certeza que ela pretende pular. Ou está com muita vontade. Enfim, o fotógrafo viu a mulher ali e ficou tirando fotos dela. Ela contemplando e ele fotografando. Até que, enfim, ele percebeu o que estava acontecendo e foi impedir a mulher de pular.

Logo no começo de A Ponte, conversamos com uma mulher que presenciou um suicídio desses. Aí ela ficou com a dúvida na cabeça "será que isso acontece com muita frequência?" e foi perguntar pra um guarda marinho. "It happens all the time." Tanto que Eric Steel, o diretor, deixou a câmera gravando por dias sem parar. Capturou 23 suicídios.

Não sei se preciso dizer, mas esse foi um documentário polêmico. I mean, filmar ao invés de ajudar as pessoas? Esse, por exemplo, é um dos casos do filme (convenhamos, um jeito bem badass de pular). E, sim, essa é a foto de um suicídio real. É curioso que, em várias cenas onde tem pessoas andando nessa parte do lado da ponte que já mencionei, as outras pessoas seguem com seus dias normalmente caminhando pela calçada. "Hm, por que aquele cara está ali? Enfim, tenho outras coisas pra me preocupar." Tenho uma amiga que já presenciou alguém pulando de um prédio (em São Paulo) e, porra.. Assim como ela, eu não conseguiria não dar bola. E se o estranho conseguisse de fato se matar, eu ficaria profundamente perturbado.


Uma coisa que eu achei interessante, though, e por certo lado "positiva", é que muitos casos e famílias.. "suportaram" a decisão do suicida. Se alguém diz que quer se matar, todo mundo que gosta dele vai fazer de tudo pra que fulano não morra. Mas muita gente percebe que, para essas pessoas, viver é.. Bem, uma merda. Não o "vida de merda" que você pensa quando falta luz durante aquele trabalho que você tava fazendo ou quando fulana diz que só quer ser sua amiga. Dava pra notar, pelos relatos dos familiares, que nada fazia valer a pena, pros caras que se mataram. Então alguns sentiram certo alívio quando ficaram sabendo que tal pessoa se matou. "Ele foi pra um lugar melhor." É o que tem que se pensar nessas horas.


Me decepcionei um pouco com o filme pois esperava mais suicídio e menos ponte, if you know what I mean. Poderia ser bem melhor.

Nota 7.8

Tudo Pode Dar Certo (2009)

Título Original: Whatever Works
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
País: EUA


OK. Algo me diz que você conhece (e gosta) mais do trabalho do Woody Allen do que o do Larry David (o cara do cartaz). Eu sinceramente não sei qual prefiro. Larry David, caso você não saiba, é um dos criadores de Seinfeld. Eu nunca vi um episódio de Seinfeld inteiro. Larry também tem um seriado de comédia na HBO chamado Curb Your Enthusiasm, onde ele faz, bem, ele mesmo. E desse seriado, sim, eu sou fã.

Esse filme, assim sendo, era bastante esperado por qualquer amante da comédia. Dois judeus velhos e americanos trabalhando juntos. Larry David, no filme, faz Boris, o Woody Allen de sempre. Boris é um "gênio", gosta de música clássica e física, solteiro e niilista. Então um dia ele conhece Evan Rachel Wood, uma mendiga que muda sua vida. Ele a hospeda e então ambos os personagens crescem com a convivência. Evan faz o papel de uma caipira sulista. Ou seja, ela é, em essência, "normal"; acredita em Deus, em amor, as pessoas são boas e por aí vai. É engraçado ver como, inicialmente, Boris afeta a menina. Ela, suddenly, começa a não gostar mais de jovens que, sei lá, só pensam em sexo ou em ter uma família. Enfim.. personangens novos são surgem, assim como relacionamentos.

Woody Allen é um "agrada-multidões." Em diversas cenas, Boris conversa com o público, sim, nós (o que faz muito mais sentido se você vê esse filme no cinema e não no computador). Haters gonna hate, mas eu achei bem legal o jeito que foi feito aqui. Eu poderia colar uma citação enorme do filme aqui (a melhor parte do filme, bem no começo) mas não vou. Vou botar uma quote da moral de Whatever Works. Qual é a dessa expressão? "That's why I can't say enough times, whatever love you can get and give, whatever happiness you can filch or provide, every temporary measure of grace, whatever works."


Melhor Woody Allen desde Match Point.

Nota 9

À Prova de Morte (2007)

Título Original: Death Proof
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
País: EUA

Porra, muito bom! Haters gonna hate.

Filme dividido em duas etapas, basicamente. Kurt Russell faz Stuntman Mike, um dublê (o rly?) que, bem, gosta de matar mulheres com o seu carro à prova de morte. À prova de morte para o motorista, pois é um carro de dublês. O primeiro grupo de mulheres que lhe atrai ele encontra num bar e depois de, , ele vai atrás de outro. Com esse segundo grupo é onde o filme se passa na maior parte.

Um dos principais diferencias desse pra outros filmes do Tarantino é que a maioria dos personagens é feminino. Assim sendo, aqueles diálogos típicos são todos por elas e fica muito, muito bem. O segundo grupo tem Rosario Dawson e Zoë Bell. E nos créditos, você vê que ela faz ela mesmo. Mas who the fuck is Zoë Bell, you may wonder. Ninguém menos que a dublê da noiva (Uma Thurman) de Kill Bill! Pelo jeito o Tarantino curtiu ela o suficiente pra botar como uma das protagonistas de Death Proof.


Enfim.. Diálogos longos e fodas, falas memoráveis, violência e bastante epicness em geral. Muita gente não gostou desse filme pois ele faz parte do Grindhouse e, bem, Planet Terror é bem melhor, they say. Sim, é melhor, mas Death Proof também é MUITO BOM.


OBS.: Descobri recentemente que a cheerleader do segundo grupo é quem fará a RAMONA FLOWERS (a de cabelo rosa) no filme de SCOTT PILGRIM. Ela é tão bonita! D: Preciso rever Death Proof asap.


Nota 9.2

Um Segredo de Família (2007)

Título Original: Un Secret
Direção: Claude Miller
Roteiro: Claude Miller baseado em livro de Philippe Grimbert
País: França

Meh..

Filme interessante sobre uma visão judia sobre o Holocausto. Mas não bem isso. Baseado em fatos reais, Um Segredo de Família fala da família Grimbert, mais examtamente de François, uma criança e suas lembranças do que aconteceu com seus parentes naquela época. Não, não é um filme brutal. É bem dramático, mal aparecem nazistas, é mais sobre as pessoas envolvidas com François e as consequências do nacional-socialismo na comunidade judaica.

Vou contar a melhor cena, que deixou todo mundo surpreso, porque foi muito tensa / estranha / curiosa mesmo. E sei que ninguém vai ver esse filme por causa desse post (inclusive não o recomendo, tem muita coisa melhor pra se ver) então vai fundo e leia o seguinte. François, adulto, se casa e logo se apaixona pela mulher de um parente ou amigo, não lembro bem. Ele passa quase o filme todo sem fazer nada a respeito. Aí eles (todos judeus) encontraram uma casa boa pra "se esconder" e estão a habitando já faz um tempo. A mulher de François recentemente percebeu que ele gosta da tal outra mulher e detestou a ideia de ir pra essa casa, pois a loirona estaria lá. Mas ela acabou indo, com o filho. Então certo dia chegam uns nazistas e querem documentos provando que ninguém ali é judeu. Ao falar com a esposa (François não está presente), ela mostra os dois documentos que possui, o falso e o verdadeiro. As parentes ficam WTF. E então chega o filho dela no aposento e a mãe diz "aquele ali é meu filho." Porra, muito tenso.


Enfim.. Interessante, mas chatinho.

Nota 6.7

Garotas Sem Rumo (2005)

Título Original: Havoc
Direção: Barbara Kopple
Roteiro: Stephen Gaghan e Jessica Kaplan
País: EUA

Dobradinha Anne Hathaway! <3

Então. White boys being gangsta. Vergonha alheia mil. Anne e sua amiga são as descoladas que namoram os caras mais legais. Mas elas estão entediadas e resolvem ir para East LA se envolver com latinos. Pois é lá onde a coisa realmente acontece. Mas, claro, dá muita merda, etc. Um destaque do filme é um amigo deles descolado que está filmando uma espécie de documentário sobre esse estilo de vida. Nele, a juventude fala o que pensa. É.. realista.

Novamente, eu estava esperando uma bomba, mas não foi tão ruim assim. Sem contar que se você é fã da Anne Hathaway, esse filme vale a pena, if you know what I mean.

Nota 6.4

Casa Vazia (2004)

Título Original: Bin-jip
Direção: Ki-duk Kim
Roteiro: Ki-duk Kim
País: Coréia do Sul / Japão

Maravilhoso! E esse foi meu primeiro Ki-duk Kim?! Preparem-se pra mais.

Logo de começo já percebemos que esse não é um filme comum. Tudo muito quieto. Eu tava marcando o tempo "OK, quando o protagonista vai falar algo?" até que percebi que "oh wait, ele não vai." E o personagem principal não fala nada durante o filme inteiro. Não, em nenhum momento mencionam que ele é mudo.

Nosso protagonista é um gênio. Ele bota propagandas de restaurantes em maçanetas de casas de um certo bairro e então uns dias depois ele volta pra colhê-las. Em alguns lugares, a propaganda continua ali. Ou seja, ninguém tirou, pois provavelmente ninguém entrou na casa. Então ele invade a casa e a habita por alguns dias até descobrir quando os donos vão voltar ou whatever. Aí ele muda de bairro. Nisso, ele arruma eletrônicos estragados da casa, lava louça e roupas, dorme, toma banho, vê TV, joga golfe no jardim..

Até que um dia ele invade uma casa que tem uma mulher dentro. Mas ele demora pra perceber. A mulher tinha sido recentemente vítima de violência doméstica e, bem, digamos que ela anda confusa, triste e insegura. Ela resolve fugir com o nosso protagonista e aí começa a nossa história.


Nesse exato momento percebo uma pequena relação desse filme com Amor Sem Escalas. Ambos mencionam uma liberdade de quem não tem ligações com nenhuma outra pessoa. O protagonista de Casa Vazia não tem família, nem casa fixa, nem dinheiro. Ele aparenta ser totalmente livre, como o vento. O filme trabalha isso muito bem. Não vou falar mais pra não dar spoiler.

Bonito, tocante, hilário, único, etc. Recomendação absoluta.

Nota 9.5


UPDATE: Minto, meu primeiro Ki-duk Kim foi este. Muito bom também, mas Casa Vazia é bem melhor.