The Cabin in the Woods (2011)



Direção: Drew Goddard
Roteiro: Joss Whedon e Drew Goddard
País: EUA

Genial!

Antes de mais nada, é preciso dizer que é muito difícil comentar esse filme e as ideias que ele mostra sem estragar esse post e enchê-lo de spoilers. Mas vou tentar.


Pelo trailer de The Cabin in the Woods, não se espera nada demais. Espera-se clichês de filmes de terror. Grupo de jovens, fim de semana, casa na floresta, merda acontece e, bem, muita gente morre. Pelo cartaz, espera-se Cubo. O que se recebe é um prato cheio para fãs do cinema de horror. Logo no começo, com diversas e pequenas dicas, já se percebe que a premissa do trailer é uma fachada e que tem algo muito sério acontecendo. O roteiro é escrito de tal forma que te deixa sempre curioso, pois nunca revela muito de uma vez só. Certos aspectos da comédia você simplesmente aproveita, mesmo não entendendo muito bem o que está acontecendo.

Assim como em The Avengers te faz, em inúmeras cenas, pensar "ISSO! Está tudo tão... CERTO! É assim que um filme nerd de super-heróis deveria ser!", The Cabin in the Woods te faz pensar o mesmo sobre filmes de terror. Porém não é algo que vai poder ser repetido, porque agora a ideia já foi usada e quem resolver imitar, vai ser uma cópia descarada. Então fica aqui meu obrigado a Joss Whedon e Drew Goddard por um roteiro fantástico.

Nota 9

Adendo: Eu honestamente gostei mais desse filme do que The Avengers, mas por um simples e injusto motivo. Não estava esperando nada sobre The Cabin in the Woods (inclusive nem queria de fato ver, só fui por Joss Whedon e pelas várias críticas positivas). E The Avengers, já tinha um hype desgraçado. Nota igual pra não ter injustiça.

The Avengers (2012)

Direção: Joss Whedon
Roteiro: Joss Whedon e Zak Penn baseado em quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby
País: EUA

Se você não conhece Joss Whedon, você não manja de nerdice.

Brincadeira. Não tenho muito o que falar sobre o filme. Todo mundo já sabe a história, viu o filme e leu reviews. E, de fato, The Avengers não decepciona nem um pouco. É como falam. Paraíso nerd. Ver os Vingadores destruindo aliens (e Manhattan) foi lindo demais. Como eu já vi a internet pirar com mais de 8000 cenas excelentes, resolvi fazer então um Top 5 Cenas Favoritas. Sem ordem alguma.


1 - "His first name is Agent."

Tony Stark + Pepper Potts. Agent Phil aparece no apartamento, Pepper é simpática e chama Phil pelo primeiro nome. Tony retruca.

2 - "It's some kind of... electricity."

Homem de Ferro pede ajuda pro Capitão América em relação a uns eletrônicos. O Capitão, bem, não manja muito sobre isso. Quando ele chega no seu destino, é isso que ele fala.

3 - "Hulk... SMASH!"

Capitão América dando ordens para todos Vingadores, como um líder natural, como deve ser. Quando chega a vez do verdão, ele só fala isso.

4 - Hulk tentando levantar o Mjolnir e não conseguindo.

Quão foda é Thor?!

5 - Hulk DESTRUINDO Loki.



Menções honrosas:

6 - Hulk dando uma porrada no Thor SEM MOTIVO ALGUM depois de um combate em equipe.

Bromance no seu melhor.

7 - Hulk cai do céu, fica inconsciente e vira Bruce Banner. Um velho olhou tudo.

Velho: Are you an alien? Like from outer space.
Bruce: No.
Velho: Well, then, son... You've got a condition.

8 - Thor + Mjolnir batendo contra o escudo do Capitão América na floresta.

Porque né.



Adendo #1: Eu não vi o filme do Capitão América, mas deu pra entender tudo sem problemas. Obrigado, Joss Whedon.

Adendo #2: Adorei Mark Ruffalo como Hulk e Jeremy Renner como Hawkeye.


Nota 9

Goon (2011)

Direção: Michael Dowse
Roteiro: Jay Baruchel e Adam Goldberg baseado em livro de Adam Frattasio e Doug Smith
País: Canadá e EUA


Goon é um filme de hockey que na verdade fala mais sobre a pancadaria legalizada por trás do esporte. O filme está fazendo um sucesso enorme aqui (essencialmente, por ser um filme de canadenses para canadenses) mas, como fã da NHL, também pude apreciar esse ótimo retrato dessa pequena parcela da América do Norte. Jay Baruchel co-escreveu, produziu e é um dos principais personagens do filme. Ele faz um adolescente viciado em hockey que tem um podcast em vídeo onde comenta os jogos e, em destaque, os maiores hits e lutas das partidas. 

Na grande maioria dos esportes em equipe, a função de um defensor, por exemplo, é marcar (ou impedir) que o atacante do outro time avançe. Isso, com o passar dos vários minutos de qualquer partida, cansa ambos jogadores e, claro, com um trash talk ali ou aqui, tudo começa a parecer pessoal. É muito comum então algum deles fazer uma jogada ilegal com o propósito de desabilitar o adversário fisicamente. Um carrinho bem dado e jurar que foi na bola, no futebol. Bom, quando as coisas ficam quentes assim e, para evitar essas jogadas baixas e "por trás das câmeras", no hockey, é permitido socar (sim) o adversário. Se os dois julgam necessário e querem se "desestressar um contra o outro", eles tiram as luvas e se atacam. O jogo para até algum sair "vitorioso" ou de pé. Quando isso acontece, naturalmente, todos os fãs e envolvidos, começam a torcer para o respectivo jogador de sua equipe e, bem, todo mundo vai a loucura , quer ver sangue e o adversário "sair da luta" imóvel. Basicamente. O filme retrata isso muito bem. 

O melhor amigo de Jay é Seann Williams Scott (conhecido por todo mundo como o Stiffler de American Pie), um brutamontes estúpido (ele mesmo diz) que trabalha como segurança de um bar. Seann só é bom em uma coisa e ele sabe disso: dar porrada nos outros. Depois de uma pancadaria nas arquibancadas de um jogo da segunda divisão, ele ganha a atenção de um caça-talentos. O profissional vê potencial em Seann. Em pouco tempo, ele faz parte dos Halifax Islanders e, como grande parte dos times de segunda, a situação não tá boa. Jogadores velhos demais, ninguém se importa realmente com ganhar ou não e a estrelinha do time muito menos - e ele também nem pode jogar bem se o time não ajuda. Não preciso nem dizer, mas com Seann, tudo começa a melhorar e o time passa a ver a glória de uma ascenção.

O principal conflito de Goon, porém, está em Ross Rhea, um jogador que, assim como Seann, ganhou a fama e habilidade sendo o tank do time. Rhea ainda atua na mesma liga e nada como um novo prodígio pra fazer os da velha guarda ficarem receosos e precisarem defender o seu título ou status como melhor. Naturalmente a briga entre os dois é o ápice do filme e Goon constrói tudo tão bem a tal momento que é impossível não ficar empolgado e se ajeitar na cadeira quando fica claro que a cena vai acontecer. Sensacional.

Queria dizer que você não precisa gosta de esportes pra gostar de Goon mas não garanto. É preciso, sim, entender trabalho em equipe, sentir orgulho de fazer parte de um grupo e, desde que você veja aquele outro cara com o mesmo uniforme seu, saber que ele vai fazer sua função em prol de um resultado positivo.

Nota 8.9

Hugo (2011)


Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Josh Logan baseado em livro de Brian Selznick
País: EUA

Primeiro filme em 3D de Martin Scorsese. Pelo trailer, parece um filme infantil qualquer e todos se espantam ao ver o nome de Scorsese. Por que raios ele está fazendo um filme em 3D e por que raios assim? Mas vocês se enganam. Scorsese dá conta do recado mais uma vez.

Hugo é um orfão que mora dentro dos enormes relógios de uma estação de trem em Paris, 1930. A única coisa que ele tem de seu pai (Jude Law, que aparece pouco) é uma espécie de boneco/robô incompleto. Logo no começo do filme, Hugo, junto de Chloe Moretz, soluciona esse mistério mas apenas para encontrarem outro. O robô foi programado para desenhar uma imagem num papel. Ele desenha. Mas o que aquilo significa? Qual a ligação disso com Hugo e seu pai?

O 3D ficou ótimo. Logo nas primeiras cenas, planos abertos da estação, percebemos que Scorsese não está brincando. Tudo é muito bem feito e sabiamente usado (como acontece em The Cave of Forgotten Dreams). Outro ponto bom de Hugo são os dois coadjuvantes Sacha Baron Cohen, como o guarda da estação e essencialmente o vilão, e Ben Kingsley, como tio de Chloe e mecânico da estação.


É difícil falar mais sobre o filme sem dar spoilers importantes então fico por aqui. Só digo isto: se você é interessado ou sabe sobre a história do cinema, veja esse filme! Manly tears são garantidas.

Nota 9.2

Margin Call (2011)

Direção: J.C. Chandor
Roteiro: J.C. Chandor
País: EUA

Margin Call fala sobre os homens que previram a crise econômica de 2008.

Tudo aconteceu quando, em um dia qualquer, uma empresa financeira despedia 80% de um dos seus setores. O chefe do setor inclusive, Stanley Tucci, é um deles. Minutos antes de ir embora, porém, ele dá um pendrive com todas informações sobre seu atual projeto, que não irá conseguir acabar pois foi demitido. Quem recebe as informações é Zachary Quinto, um dos pupilos de Stanley. Assim que o pendrive é entregado, Stanley diz "tenha cuidado." Curioso, Quinto resolve trabalhar sem parar no projeto enquanto seus amigos Paul Bettany e Penn Badgley saem pra beber pra comemorar não terem sido despedidos. Algumas horas de análise e projeções depois, Quinto chega a uma terrível conclusão. Imediatamente ele liga pros dois e a partir daí começa uma reação em cadeia de cada um ligando pro seu respectivo chefe para alertá-los da situação. Mas de uma coisa todos sabem: vai dar merda.

Com um elenco fortíssimo (Zachary, Penn, Stanley, Paul, que já mencionei, mais Kevin Spacey, Demi Moore e Jeremy Irons), Margin Call consegue passar com sucesso a sensação de "estamos na beira de uma crise econômica." Logo no começo, quando é apenas o trio inicial que sabe das más notícias, dois deles estão num carro voltando pro escritório. Zachary nota as pessoas na rua, na noite, normalmente, se divertindo, como de costume. Ele diz "olha pra essas pessoas, elas não fazem a menor ideia do que vai acontecer." O filme também tem dois discursos marcantes, sobre, digamos, a filosofia da economia, um por Paul e um por Jeremy no final. Afinal, quando se é o primeiro grupo de pessoas a ter informações como estas, certas ações podem (ou devem) ser tomadas, tudo depende da ética. "Temos que fazer a coisa certa" mas "a coisa certa pra quem?".

Nota 8