Stoker (2013)

Direção: Park Chan-Wook
Roteiro: Wentworth Miller
País: UK / EUA

"Sabe quando vê uma foto sua que foi tirada quando não sabia que estavam tirando uma foto sua? De um ângulo que tu não consegue ver quando se olha no espelho? E você pensa 'Isso sou eu. Isso... também sou eu.' Sabe do que estou falando? É assim que me sinto agora."

Filme muito interessante sobre família, assassinato e sexualidade. Sempre fui um grande fã do Park Chan-Wook então estava muito empolgado com Stoker. Seu primeiro filme em Hollywood com atores famosos tipo Mia Wasikowska, Nicole Kidman e, um dos meus favoritos, Matthew Goode. Um elenco essencialmente bem escolhido, principalmente quando se fala do Goode; vejo poucos atores atuais com um olhar tão profundo e intimidador.

O filme é sobre uma família relativamente distante que, por descuidos do destino, costuma sofrer traumas e acidentes demais. Quando o marido da Kidman morre, o misterioso Goode (irmão ausente do marido) aparece para ajudar a esposa e sua sobrinha, Mia.

Stoker, com consistência, um filme perturbador. Crédito a Wentworth Miller (sim, o cara de Prison Break) e seu roteiro surpreendentemente bom. Chan-Wook, como sempre fez um excelente trabalho como diretor.

Mal posso esperar por seu próximo filme, seja o que for.

The Bling Ring (2013)

Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola baseada em artigo da Vanity Fair (fatos reais)
País: EUA


O hype do novo filme da Sofia Coppola surgiu por dois motivos: baseado em fatos reais e Emma Watson. Infelizmente, The Bling Ring é exatamente o que você espera que seja. 

O filme segue um grupo de adolescentes mimados e entediados, da geração MTV, viciados em rede sociais e sua série de roubos às diversas casas de celebridades hollywoodianas. É claro que, eventualmente, eles ficam gananciosos e estúpidos demais (abuso de drogas) até serem pegos. 


O trabalho da Coppola como diretora foi, como sempre, bem feito e único; o que pode-se perceber por certos takes particularmente selecionados em slow motion e na trilha sonora obrigatoriamente "descolada e hipster" (mas muito boa, que inclui músicos como Kanye West, deadmau5 e, os favoritos da diretora, Phoenix). Os takes e a trilha em favor de mostrar o "elitismo" de pecados capitais como ganancia mas principalmente luxúria. 

Em geral, um bom filme, apesar de decepcionante.

Nota 6.5

Drinking Buddies (2013)

Direção: Joe Swanberg
Roteiro: Joe Swanberg
País: EUA

Literalmente um filme só sobre dois casais que bebem bastante. Obviamente, o cara do casal A começa a gostar da guria do casal B, etc.

É estranho que não tem tantas discussões e DR nesse filme. O que às vezes é algo bom, mas nesse caso é ruim, porque não é realista. Outra coisa é que, e não estou falando isso apenas porque Olivia Wilde e Anna Kendrick são bonitas, não tem sexo o suficiente. Fala sério, casais jovens e bonitos que não transam (tanto)? Drinking Buddies é mais sobre tensão sexual e expectativas decepcionantes do que sobre romance e drama.

E eu gosto do Ron Livingston, mas ele não combia nem um pouco com o resto do elenco.

Nota 5

Days of Heaven (1978)

Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
País: EUA

Segundo filme do mestre Terrence Malick. Tudo bem, é o segundo filme que vejo dele (o primeiro sendo a obra de arte Tree of Life), mas já é perfeitamente compreensível porque ele tem fãs tão fiéis (eu sendo um deles).

O filme fala sobre trabalho, ciúmes, luta de classes e, em geral, a fugacidade de tudo. A história gira em torno de uma tríade de personagens. Bill (Richard Gere), Abby e Linda. Eles fingem que são uma família mas na verdade Bill e Abby são namorados. Os três são classe baixa e trabalhadora e passam a vida viajando em busca de sobreviver e ganhar uns trocados. Um dia eles vão trabalhar numa fazenda enorme, colhendo trigo. O dono da fazenda (um homem com alguma doença que não tem muito tempo de vida) se interessa em Abby e eles precisam lidar com isso.

Days of Heaven, por se passar em uma fazenda no meio do Texas, é cheio de paisagens bonitas e vazias, como vocês podem ver no grid. Uma coisa que me chamou a atenção foi a sonoplastia. No começo temos muitas cenas industriais e mesmo na fazenda, durante a colheita, bastante barulhos de máquinas. Os personagens conversam pouco nessas cenas mas Malick deixou o volume das máquinas muito alto, por causa do realismo, e mal se escuta os personagens. Esse é apenas um dos detalhes interessantes do filme. 

As atuações não tem nada de especial. A trilha sonora é boa, assim como o roteiro de Malick. O melhor de Days of Heaven é, como esperado, a direção.

Nota 9


Spring Breakers (2012)

Direção: Harmony Korine
Roteiro: Harmony Korine
País: EUA

Um filme de Harmony Korine (diretor de obras como Gummo e Kids) estrelando as ex-princesinhas da Disney, Vanessa Hudgens e Selena Gomez, junto de James Franco. Sobre spring break. Todo mundo já sabia que esse seria um filme digno de atenção, mas pouca gente esperava um resultado tão interessante. 

Tudo começa no interior, onde a vida é chata. As férias estão chegando e, com elas, a Spring Break. Spring Break é um período nos EUA onde os estudantes vão pra praia (normalmente) para festejar. Leia-se drogas, bebida e sexo. O problema é que as nossas quatro protagonistas não tem dinheiro o suficiente para viajar. Três delas então decidem assaltar uma lancheria então uma noite para conseguir o dinheiro. Juventude, sabe como é. A vontade de fazer o que todo mundo está fazendo é maior do que tudo. Elas precisam ser como as outras e as outras foram pra Spring Break. Então é isso que vamos fazer, custe o que custar. "Faça de conta que é um videogame." 

Spring Breakers é acima de tudo um filme sobre a glamourização da violência, promiscuidade e crime, principalmente entre meninas adolescentes. Na primeira cena do filme já se percebe isso. Mostram-se apenas imagens típicas de uma Spring Break ao som da clássico hit de dubstep Scary Monster e Nice Sprites do Skrillex (que compôs grande parte da trilha sonora. junto com Cliff Martinez, de Drive). Quando chega o drop da música, é como se as imagens e comportamentos mostrado nas imagens fossem cuspidos na cara do espectador com uma agressividade absurda (a mesma da música). Nudez. Spring Break. Em outra cena particular onde também toca um hit clássico de Skrillex, a música se sobrepõe com declarações das protagonistas em ligações que elas fizeram pra casa relatando sua experiência na praia. A música tem a sua beleza, as imagens novamente são gente semi-nua se divertindo e o que as mocinhas estão falando te convence. É um lugar mágico. Todo mundo é tão legal, conhecemos tantas pessoas novas, estamos nos divertindo tanto, nunca quero voltar pra casa.

Só que, se você conhece Harmony Korine, você sabe que o filme dele não vai ser só o que parece ser uma propaganda da MTV. Quando o personagem de James Franco (um rapper, possivelmente o melhor papel e atuação da carreira dele; está simplesmente irreconhecível) é introduzido e ajuda as mocinhas a sair da cadeia, "por nenhum motivo aparente", o clima do filme muda. Por que homens mais velhos querem se ver cercados de mulheres mais novas, afinal? Mas na adolescência, somos todos tão ingênuos. Elas não vêem nada além de como Alien (o nome do personagem) é legal por ser traficante e rapper e ter muito dinheiro e armas e tatuagens e dentes prateados. Alien percebe a tendência à violência das meninas e começa a gostar muito mais delas.


Spring Breakers não é sobre um grupo de amigas que quer se divertir; é muito mais do que isso. É uma análise sobre uma geração vazia onde tudo é artificial (o filme é praticamente todo feito de cores neon, como dá pra ver pelo cartaz). É um relato sobre os extremos de perseguir o "sonho americano" (get rich or die trying), que vai do hedonismo do materialismo até o niilismo do "fazer por fazer."

Hipnotizante.

Nota 9


Edit: Finalmente agora posso ver porque tanta acha esse filme mais parecido com Hotline Miami do que Drive. É uma mistura dos dois, convenhamos.

Edit 2: Agora com grid!