Man on Wire (2008)

Direção: James Marsh
Roteiro: Philippe Petit
País: UK / EUA

Documentário muito emocionante sobre um equilibrista que fez a façanha de ficar equilibrado (andando e brincando) entre as duas Torres Gêmeas por mais de quarenta e cinco minutos.

A paixão (e o sonho) de Philippe Petit por equilibrismo surgiu quando ele era criança. Um dia, ele foi ao dentista e, na sala de espera, viu uma revista onde falavam sobre a construção do World Trade Center, que não havia ainda sido iniciada. A matéria mostrava uma imagem do projeto. Ele rasgou a página da revista e foi embora. "Fiquei com dor de dente por uma semana, admito, mas o que era essa dor comparado com o sonho que eu tinha recém descoberto?", diz.

O primeiro feito marcante de Philippe como equilibrista foi andar entre duas pequenas torres da catedral de Notre Dame. 69 metros de altura. Eis uma foto do evento. A segunda vez foi na Austrália, na ponte do porto de Sydney. 134 metros. Foto. E, bem, o WTC tinha 417 metros de altura. Então ele, sua namorada e mais vários amigos e contatos passaram meses planejando como fariam isso. Afinal, o objetivo deles era ilegal e eles precisavam agir às escuras. Meio que literalmente pois ficaram a madrugada inteira no telhado das torres arrumando os cabos e preparativos. Na prática, foram apenas quatro pessoas para realizar o ato. Ele e outro amigo em uma torre, e mais dois na outra. Um deles era americano e não sabia falar francês. O resto do pessoal ficou lá em baixo esperando.

O mais impressionante sobre Philippe e todos os envolvidos é a dedicação e confiança que tinham na habilidade do equilibrista. Claro, ele não era o melhor do mundo, não era impossível dele cair. Mas quando ele estava no cabo, ele se sentia livre. Feliz. No seu lugar. Tanto que brincava lá de cima, em todas as situações, deitando no cabo, fazendo malabarismo com objetos, ajoelhava... Na primeira vez que Philippe viu as Torres Gêmeas, ele percebeu que era impossível. Ele, e todo mundo, ficou perplexo pela magnitude daquilo que queriam alcançar. Convenhamos, pensa bem. Um equilibrista entre as Torres Gêmeas? Quem se submeteria a isso? Por quê? Parece realmente impossível. Philippe nem mesmo tinha confiança em si mesmo, afinal, qualquer coisa pode acontecer lá. Ele pode dar um passo e cair e morrer. "Que morte linda seria". Muitas vezes os realizadores do feito concluíam isso, mas eles não iriam parar agora, iam?


É meio difícil descrever as emoções que Man on Wire passa. "Você tinha que estar lá." A namorada de Philippe diz que chorou quando viu ele, lá de baixo das Torres, num cabo finíssimo. Só imagino o sentimento dos amigos que estavam nos topos das torres, ali perto. Uma das imagens mais poderosas do documentário, e a namorada dele descreve, foi quando, lá no cabo, ele fez aqui que está mostrado na penúltima imagem do grid abaixo. Quando já estava seguro que sabia que estava fazendo, que não ia cair, quando já estava brincando no cabo, ele saúda a câmera. Como se fosse um ator no fim de uma peça de teatro, como se dissesse "eu estou aqui, apreciem-me." Pode não ser do seu jeito mais normal, mas isso é arte. Como não apreciar? Como descrever uma pessoa assim que simplesmente vai direto em direção ao seu sonho e o realiza dessa forma? 

Quando a polícia finalmente põe suas mãos em Philippe, e logo depois os repórteres, a mídia e, bem, todo mundo, a pergunta mais comum que lhe faziam era "Por quê? Por que você fez isso?" mas o equilibrista sabia que essa pergunta não tinha resposta. Ele apenas fez. Viu aquelas torres naquela revista quando criança e decidiu que iria fazer isso. E eu o aplaudo por isso.

Nota 9.5


Hunger (2008)

Direção: Steve McQueen
Roteiro: Steve McQueen e Enda Walsh baseado em fatos reais
País: Inglaterra / Irlanda 

Posto a capa do DVD da Criterion porque é muito mais bonita que o cartaz do filme (normalmente é).

Você conhece o IRA. Irish Republican Army. Nos anos 80, um grupo de prisioneiros do IRA protestaram contra o governo em busca de status político do grupo. O filme mostra Bobby Sands (Michael Fassbender) e como ele liderou a greve de fome que foi feita.

Quando eu vi Shame (2011) no TIFF, todo mundo me falava do antigo filme de Steve McQueen (inclusive estive numa Q&A com o diretor e o Fassbender!) mas só vi Hunger agora. As similaridades são claras. Em ambos filmes, Fassbender fez um protagonista um pouco frio, onde somente tem um propósito e objetivo. No caso de Hunger, que sua mensagem seja escutada e entendida, e no caso de Shame, bem, o orgasmo. A cinematografia, como vocês podem ver no grid que fiz abaixo, também é parecida. Fria, azul, distante.


Excelente filme. Fassbender tá muito magro, a nível de Christian Bale em The Machinist. Talvez mais.


Sobre o grid: Já vi pessoas fazerem isso sobre vários flimes e diretores e é sempre bem interessante e bonito. Vou começar a fazer isso dos filmes que vejo no computador.

Nota 8.5

Argo (2012)

Direção: Ben Affleck
Roteiro: Chris Terrio baseado em livro de Antonio J. Mendez e artigo de Joshuah Bearman
País: EUA

Baseado em fatos reais.

Lá pelos anos 70, os EUA já tinha a mania de "implantar a democracia" por causa de petróleo em países do Oriente Médio. Eles e o Reino Unido planejaram um coup d'état, tiraram o presidente do Irã do comando e botaram um substituto no lugar. A população, naturalmente, ficou furiosa e algum tempo depois, o substituto ficou seriamente doente. Os EUA tiraram o cara do país "para melhores cuidados" e enquanto isso os iranianos não tinham quem depor. Os revolucionários resolveram invadir e tomar conta da embaixada americana no Irã e capturaram vários reféns. Argo fala sobre os seis que conseguiram fugir.

Tony Mendez (Affleck) é um especialista de "exfiltração" do CIA, ou seja, ele entra disfarçado em situações para tirar pessoas de lá. Ele e seu chefe (Bryan Cranston) surgem com um plano para salvar os reféns, atualmente escondidos na casa do embaixador canadense, lá no Irã. E o plano deles é o seguinte: Affleck vai pro Irã como um cineasta canadense. Ele está viajando pelo Oriente Médio procurando locações para filmar uma ficção científica. Ele chega no Irã, o resto de seu grupo (os seis reféns) chegam no outro dia e, uns dias depois, todos vão embora do país juntos. Ou seja, eles terão de fingir que são diretores, cameramen, roteiristas e por aí vai. O problema é sair por aí (e passar por um aeroporto) numa cidade tomada pelas forças revolucionárias, quando todo país sabe que seis reféns fugiram e estão sendo procurados.

A melhor palavra pra definir Argo é tenso. A qualquer momento pode dar algum problema; alguém pode apontar pra você na rua gritando "é ele, é ele!" que todos se viram e danou-se. Não só isso como o filme também é uma corrida contra o próprio CIA pois alguns superiores não gostaram dessa ideia e pretendem montar uma armada para resgatar os reféns à força.

É daqueles suspenses que te deixam na beira da cadeira. Muito bom.

Nota 8

O Mestre (2012)

Direção: Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson
País: EUA

Finalmente vi no cinema (em pré-estreia!) o novo e altamente antecipado filme do mestre PTA, diretor do clássico moderno There Will Be Blood. Se este é tão bom por causa do ator principal ser Daniel Day-Lewis, Joaquin Phoenix (e Philip Seymour Hoffman) o substitui perfeitamente.

O Mestre tem dois temas centrais: o pós-guerra americano depois da Segunda Guerra Mundial e a origem dos cultos. Freddie Quell é um sujeito simples e fuzileiro naval que, como muitos soldados dos anos 50, só sabe matar pessoas. Então quando a guerra acaba e eles estão livres para fazerem o que quiserem e "começar negócios", ele fica meio perdido. Ele assume alguns hobbies e empregos como fotografia mas, novamente, como muito soldados dos anos 50, Freddie ficou traumatizado com a guerra e, bem, não funciona direito na sociedade. Ele cai na bebida. Em uma noite qualquer, ele entra de penetra em uma festa num iate. Ele dorme lá e no dia seguinte conhece o comandante Lancaster Dodd (Seymour), que, de acordo com o mesmo, é "um escritor, médico, físico nuclear, filósofo teórico, mas acima de tudo, um homem, como você."

Lancaster Dodd tem um "culto" chamado A Causa, que fala sobre aliens de trilhões de anos e viagens mentais no tempo, misturando hipnose com auto-ajuda. É, confuso, mas logo no primeiro encontro de Freddie com Dodd, quando Dodd percebe que encontrou um "discípulo e cobaia", vemos os métodos d'A Causa podem funcionar. Freddie vira o queridinho do grupo e, junto da família toda que inclui Amy Adams como esposa, eles viajam pelos EUA espalhando A Causa.

Com o passar do tempo, surge muito ceticismo. De acordo com críticos, Dodd não passa de um cultista, pois ninguém pode discordar dele e somente sua opinião é certa. Isso não é ciência. Até o próprio filho de Dodd acha que seu pai não sabe do que está falando e inventa coisas a medida em que abre a boca. Resta ao nosso protagonista Freddie distinguir mentira de verdade, gênio de lunático, ascenção de demência.


Atuações soberbas, trilha sonora pertinente, roteiro com sentido e direção, cinematografia, como de costume, única. Sem dúvida, O Mestre é um filme daqueles que pedem para ser revistos logo em que acaba. Vejam e vejam de novo.

Nota 9.5

Pitch Perfect (2012)

Direção: Jason Moore
Roteiro: Kay Cannon baseado em livro de Mickey Rapkin
País: EUA

Confesso que vi Pitch Perfect apenas por motivos de: Anna Kendrick. O roteiro foi feito por uma produtora de 30 Rock e BFF da Tina Fey, uma curiosidade.

Beca (Anna) está começando a faculdade. Ela faz remixes como hobby, adora música e seu sonho é produzir em LA. Sem nenhum amigo (novidade), ela procura formas de passar seu tempo e se depara com o glee club da faculdade formado inteiramente por mulheres, as Barden Bellas, principais rivais do grupo famoso e popular de rapazes chamado Trebletones. Como sempre, ela não tem interesse (até experimentar pela primeira vez)porque, né, glee clubs são babacas e cheio de otários. Nesse primeiro mês de "tentando se achar" na faculdade, ela conhece Jesse (o mocinho) e Fat Amy (Rebel Wilson e, sim, ela se chama assim e a explicação é uma das melhores piadas do filme, então não vou contar). Fat Amy entra no clube e Beca vai junto. E então inicia sua jornada de volta para o estrelato onde as Barden Bellas era respeitado e não um fracasso ultrapassado.

É um filme divertido, nada mais. As piadas (principalmente da Rebel Wilson) são boas e, pra quem gosta de musicais modernos (Glee), eu recomendo.

Nota 6.5